As araucárias que emolduram a paisagem da Fazenda São Pedro, em Candói (PR), oferecem mais do que sombra e beleza. Elas simbolizam a história de uma família que estabeleceu suas raízes naquele solo, preservando os ensinamentos de seus antepassados e abrindo caminho para as gerações que viriam depois.

Plantadas por Paul Illich e Helga Reinhofer Illich ao longo das décadas, cada araucária celebra o nascimento de um membro da família. As três árvores já imponentes representam os filhos; ao lado delas, outras 11, ainda em crescimento, homenageiam os netos. Juntas, elas retratam um legado familiar que continua a florescer, ano após ano.

A história da família Illich, no entanto, iniciou muito tempo antes. Suas origens remontam ao período pós-Segunda Guerra Mundial, quando os avós de Paul e Helga, junto de suas famílias, deixaram a Europa em busca de uma nova oportunidade no Brasil. Paul conta os detalhes daquele momento:

Naquela viagem, 500 famílias vieram para Guarapuava. Mas, quando chegaram aqui, encontraram uma realidade completamente diferente da que imaginavam. Não havia praticamente nada, nem mesmo uma ponte sobre o rio que precisávamos atravessar para chegar às colônias.

Segundo ele, para que reconstruíssem a vida no país, as famílias receberam pequenas áreas de terra, que posteriormente foram pagas ao governo:

O meu pai era sapateiro e o meu sogro, agricultor. Então, o meu pai ficou arrumando sapatos e o pai da Helga começou na agricultura.

Enquanto muitas retornaram à terra natal em virtude das dificuldades daquele início, a família Illich permaneceu, sustentada pelo trabalho e pela fé. Helga enfatiza:

Nossos pais, apesar de tudo, sempre tiveram muita fé. A fé deles era muito forte. Eles vieram com muita coragem, muita determinação. Não tinham muito estudo, mas tinham vontade de trabalhar e buscar algo para os filhos.

A construção da Fazenda São Pedro

A agricultura sempre fez parte da vida de Helga, que cresceu acompanhando a rotina do campo. Já Paul passou a se dedicar à atividade agrícola após o casamento, em 1981, quando o casal assumiu a Fazenda São Pedro, propriedade recebida por Helga de seus pais. Paul recorda:

Assumimos a fazenda com pouca experiência. Eu, particularmente, com zero experiência. Fui adquirindo conhecimento com meu sogro, meu cunhado e os agrônomos da Cooperativa Agrária.

Os primeiros anos foram marcados por desafios e muito aprendizado, conforme lembra Helga:

Muitas vezes, tivemos safras frustrantes. Nem sempre foi um mar de rosas, mas fomos caminhando, acertando e, com o tempo, conseguimos expandir, comprando áreas vizinhas.

Ao longo de mais de quatro décadas, a propriedade se transformou em um grupo agrícola que hoje possui áreas no Paraná e em Tocantins. Mas, para a família, a essência permanece a mesma. Paul pontua:

A Fazenda São Pedro sempre foi a mãe de tudo, por meio dela conseguimos expandir. Ela é o nosso berço.

Mais do que patrimônio, uma cultura familiar

Repetindo a experiência que a matriarca havia vivenciado anos antes, Alessandro Illich, Camila Illich Rodrigues e Athina Illich Mikos, filhos de Paul e Helga, construíram, desde pequenos, uma forte ligação com o campo. Alessandro relembra:

Eu venho para a fazenda desde que nasci. Lembro-me de a gente vir e ficar dias aqui. Enquanto meus pais trabalhavam, eu e minhas irmãs ficávamos brincando.

Camila também guarda com carinho as recordações dos tempos de criança:

Eu praticamente cresci na fazenda. Lembro-me de passar as férias aqui, da pecuária que a gente tinha no início. Essa memória afetiva da infância é muito boa, de estar sempre aqui na fazenda.

Ao rememorar as experiências que marcaram sua infância, Athina fala com ternura sobre a propriedade:

Lembro muito bem de nós cinco vindo para a fazenda. Recordo-me de participar do plantio, da colheita. Lembro-me de brincar ali no armazém, no milho, e de participar das atividades aqui da fazenda. Nós passávamos a maioria dos feriados aqui. São memórias que me acompanham desde pequena.

Essas vivências fortaleceram o vínculo dos três filhos com o campo e, anos depois, influenciaram a decisão de permanecerem no agronegócio, cada um encontrando a sua própria forma de dar continuidade ao legado da família.

Sucessão construída ao longo do tempo

Na família Illich, a sucessão foi construída gradualmente, à medida que os filhos passaram a assumir responsabilidades na gestão da propriedade. Alessandro, formado em Medicina Veterinária, foi o primeiro a ingressar na rotina da fazenda:

Na minha juventude, enquanto ainda estudava, eu ajudava meus pais na atividade pecuária, que era a minha preferência, e também na lavoura.

Segundo ele, com o passar dos anos, sua atuação na fazenda foi se ampliando:

Quando me formei, a ideia era trabalhar com a pecuária. Mas, naquela época, a agricultura já era a principal atividade da fazenda e acabei me envolvendo na lavoura. Aprendi muito na prática e passei a administrar toda a parte operacional, técnica e financeira da propriedade naquele início.

A ligação com o campo também influenciou as escolhas profissionais de Camila e Athina. Formada em Agronomia, Athina conta que sua decisão foi amadurecendo com o tempo:

Durante um período, pensei que seguiria para outro ramo. Mas, chegou um momento em que percebi que outra coisa não fazia sentido na minha vida. Então, me formei em Agronomia, voltei para cá e aprendi a ter muito amor por tudo isso aqui, não só pela agricultura em si, mas por toda a história que tem esse lugar, por todo o legado que meus pais estão deixando pra nós.

Para Alessandro, o planejamento foi determinante para o sucesso da transição:

O processo aconteceu aos poucos. Meu pai e minha mãe souberam dar os passos adequados conforme a gente ia se inteirando dos assuntos da fazenda. Eles tiveram a prudência e a sabedoria de esperar o tempo certo.

Mesmo após a divisão patrimonial, ele considera que a sucessão continua em andamento.

Nós ainda estamos em processo de sucessão, pois é um processo lento, que não acaba do dia para a noite.

Além dos filhos, a sucessão familiar envolveu também os genros e a nora. Valter Anderson Rodrigues, casado com Camila, conta que começou a atuar na fazenda logo no início do relacionamento:

Comecei minha caminhada aqui na fazenda acompanhando o meu sogro e o meu cunhado. Como eu já tinha uma visão administrativa, acabei ajudando mais nessa parte da gestão.

Segundo ele, a sucessão foi resultado de um planejamento cuidadoso conduzido por Paul e Helga:

Há cerca de quatro anos iniciamos o processo sucessório. Meu sogro e minha sogra planejaram cada etapa envolvendo toda a família. Cada núcleo passou a administrar sua área e definir suas estratégias, mas seguimos trabalhando de forma integrada, porque esse sempre foi um negócio familiar.

Guilherme Mikos, engenheiro agrônomo e marido de Athina, afirma que a fazenda sempre fez parte de sua trajetória ao lado da esposa:

Desde o início do nosso relacionamento, a fazenda esteve presente na nossa vida. Com a sucessão, passamos a assumir a gestão da área da nossa família e a participar diretamente das decisões do dia a dia, dando continuidade ao trabalho iniciado pelos meus sogros.

Fernanda Silvestri Illich, esposa de Alessandro, destaca que sua contribuição está na formação da próxima geração:

Hoje, a minha função é cuidar dos futuros sucessores. A Fazenda São Pedro sempre recebeu um carinho especial de toda a família. Tudo o que temos, todo o conforto que conquistamos, veio daqui. Meus sogros sempre nos ensinaram o valor do trabalho e a importância de cuidar deste lugar. O Alessandro transmite isso aos nossos filhos, para que eles saibam de onde vêm as coisas e entendam que a vida que têm hoje é fruto do trabalho iniciado pelos antepassados e construído pelos avós, o Paul e a Helga.

A chegada da nova geração também impulsionou a incorporação de novas tecnologias ao sistema produtivo, conforme afirma Alessandro:

Vieram as mudanças tecnológicas, principalmente nas máquinas e no manejo. As novas gerações trouxeram esse olhar para a inovação, mas sempre com prudência.

Ele também salienta que os ensinamentos recebidos dos pais continuam orientando as decisões da família:

Um grande valor que os nossos pais nos passaram foi a humildade, dar o passo certo, ser prudente e cuidadoso.

Uma parceria que acompanha a evolução da fazenda

Há mais de duas décadas, a trajetória da família também é marcada pela parceria com a Stara. O primeiro equipamento adquirido foi um distribuidor de fertilizantes e, desde então, a propriedade passou a participar inclusive do desenvolvimento de novas máquinas. Paul conta:

Nós tivemos as primeiras plantadeiras Estrela que rodaram no Brasil. Também tivemos o primeiro Imperador que veio para o Paraná, participando inclusive dos testes junto com a equipe da Stara.

Entre as tecnologias incorporadas mais recentemente está o Imperador Eco Spray, que realiza a aplicação localizada do defensivo sobre as plantas daninhas. Paul afirma:

Nós tivemos o privilégio de ter a primeira máquina aqui no Paraná. o Eco Spray veio nos ajudar fundamentalmente com a redução de herbicidas por hectare.

Alessandro destaca que a relação construída ao longo dos anos vai além da aquisição de equipamentos:

A gente encara esse relacionamento como um casamento. A Stara tem acesso direto à nossa propriedade e aos colaboradores. Vemos muita qualidade nos produtos da Stara, com tecnologias que atendem às necessidades do campo de hoje. Para nós, a Stara é um parceiro que se encaixa no que a gente precisa e vamos sempre estar de portas abertas pra manter essa parceria por longos anos.

Para Helga, essa parceria também se fortalece pela identificação entre as histórias das duas famílias:

A relação que temos com a Stara se identifica muito com a família. Ela também vem de uma sucessão familiar e nós buscamos seguir esse legado, construindo essa parceria juntos. Acho que isso é muito legal para nós. Alguns se apaixonam por uma máquina, outros por outras, mas a gente se achou na Stara.

Mais de sete décadas depois do recomeço daquela família de imigrantes, a Fazenda São Pedro reúne diferentes gerações em torno do mesmo propósito. Filhos, genros, nora e netos dão continuidade a uma sucessão construída de forma planejada, preservando não apenas o patrimônio, mas também os valores que sustentaram essa história desde o início.