Uma boa distribuição de sementes é fundamental para a formação de uma lavoura uniforme. Para isso, a plantadeira precisa entregar a população planejada e manter a regularidade do espaçamento entre as sementes ao longo das linhas.

Falhas e sementes duplas podem surgir quando essa distribuição é comprometida, enquanto as sobreposições ocorrem quando há uma nova deposição em áreas já plantadas. Embora sejam diferentes, as três situações podem interferir na uniformidade e no desenvolvimento da lavoura. 

Para manter a distribuição planejada, o cuidado começa na regulagem da máquina e na conferência das sementes depositadas no sulco. Nas plantadeiras Stara, tecnologias como o DPS-E e o Desligamento Linha a Linha complementam esse trabalho, contribuindo para maior precisão durante o plantio. 

A seguir, entenda o que provoca falhas, sementes duplas e sobreposições, como essas ocorrências afetam a lavoura e quais cuidados e tecnologias ajudam a evitá-las.

O que pode causar falhas, sementes duplas e sobreposição no plantio?

Na distribuição das sementes, a falha ocorre quando não há deposição onde deveria haver uma semente, enquanto a dupla acontece quando duas sementes são depositadas muito próximas entre si. Diferentes fatores podem comprometer essa regularidade, entre eles:

  • alimentação inadequada do dosador;

  • regulagem incorreta do vácuo;

  • disco ou expulsor incompatível com a cultura;

  • velocidade de plantio inadequada às condições de trabalho, entre outras.

Após a emergência, no entanto, a ausência de uma planta em determinado espaço não significa necessariamente que houve falha na distribuição. A semente pode ter sido depositada, mas não ter germinado, ou a plântula pode não ter conseguido emergir. Por isso, a avaliação do estande deve considerar outros fatores, como profundidade de semeadura, umidade do solo, contato entre solo e semente e qualidade do lote utilizado. 

Já a sobreposição ocorre quando uma ou mais linhas da plantadeira depositam sementes em uma área já semeada. Essa situação é mais comum em arremates, bordaduras e encontros entre passadas. Sem o controle individual das linhas, parte da máquina pode continuar liberando sementes na área já trabalhada, enquanto as demais avançam sobre uma faixa que ainda precisa ser plantada.

Como falhas, sementes duplas e sobreposições afetam o plantio?

Embora tenham origens diferentes, falhas, duplas e sobreposições alteram a forma como as plantas ocupam a lavoura. Nas falhas de deposição, a ausência de sementes em determinados espaços pode reduzir a população planejada. Nas duplas, duas sementes muito próximas diminuem o espaço disponível para o desenvolvimento das plantas.

Matheus Henrique Baumgratz, engenheiro agrônomo e analista de Marketing de Produto da Stara, explica o efeito dessa proximidade:

Sementes duplas ocorrem quando as sementes são depositadas em espaçamentos muito reduzidos, ocasionando maior proximidade entre as plantas e intensificando a competição por recursos essenciais, como nutrientes, água e luz. Da mesma forma, a sobreposição de sementes em uma faixa previamente semeada pode elevar a concentração de plantas naquele local, aumentando a competição e podendo comprometer o desenvolvimento das plantas.

Essa distribuição também precisa ser analisada de acordo com as características de cada cultura.

O que muda na distribuição de sementes entre milho e soja?

A quantidade de sementes por metro e o espaçamento esperado entre elas variam conforme a cultura e a população definida para a lavoura. Por isso, a avaliação da qualidade do plantio precisa considerar a regulagem adotada em cada situação.

Matheus Henrique Baumgratz, engenheiro agrônomo e analista de Marketing de Produto da Stara, exemplifica:

Se eu programar três sementes de milho por metro, vou ter aproximadamente 33 centímetros entre elas. Já com 12 sementes de soja por metro, essa distância fica próxima de 8 centímetros. Então, é preciso olhar a distribuição de acordo com a quantidade de sementes que foi programada para cada cultura.

Os valores apresentados correspondem à distância média esperada entre sementes para essas duas regulagens. A população utilizada deve seguir o planejamento de cada lavoura, considerando a cultura, o híbrido ou cultivar e as recomendações técnicas.

Tanto no milho quanto na soja, as soluções de plantio da Stara permitem configurar a dosagem de acordo com a população definida. A partir dessa regulagem, o operador pode acompanhar o desempenho da máquina durante a operação e verificar se a deposição está ocorrendo conforme o planejado.

Como evitar falhas e sementes duplas no plantio? 

Antes de entrar na lavoura, é importante conferir a classificação e as condições do lote de sementes e consultar o manual da plantadeira para selecionar os componentes e realizar as regulagens recomendadas para cada cultura. O estado dos discos, expulsores e demais componentes do sistema de dosagem também deve ser verificado, considerando possíveis desgastes, sujeira ou montagem incorreta.

Na primeira passada, uma forma de avaliar o resultado é abrir alguns trechos do sulco e comparar a quantidade e o espaçamento das sementes com a programação inserida no controlador. A profundidade de deposição também deve corresponder à regulagem da plantadeira. Essa verificação permite identificar possíveis desvios e realizar os ajustes necessários antes de seguir pelo talhão.

Matheus Henrique Baumgratz, engenheiro agrônomo e analista de Marketing de Produto da Stara, orienta o acompanhamento durante a operação:

O vácuo precisa estar bem regulado para evitar falhas e sementes duplas. A velocidade também interfere na distribuição. Por isso, o operador precisa acompanhar o que os sensores mostram durante o plantio e conferir se a máquina está entregando a população programada.

A velocidade deve conciliar o rendimento da operação com a qualidade do plantio nas condições de solo, palhada e relevo de cada área. Caso sejam identificadas falhas, duplas ou irregularidades no espaçamento, a velocidade e as regulagens precisam ser reavaliadas, seguidas de uma nova conferência das sementes no sulco.

Nas plantadeiras Stara, o DPS-E realiza a dosagem e a singulação das sementes em cada linha, com controle individual dos dosadores para acompanhar a taxa programada durante a operação.

Como o DPS-E da Stara contribui para uma distribuição mais uniforme? 

O DPS-E, Dosador Elétrico Stara, utiliza vácuo para manter as sementes nos orifícios do disco dosador, acionado por motor elétrico. Durante a rotação, os  sete pontos de eliminação de sementes duplas atuam na singulação, favorecendo a liberação de uma semente por vez.

O acionamento elétrico permite controlar individualmente a rotação do dosador em cada linha, de acordo com a taxa de sementes programada. Com a regulagem adequada do vácuo e dos demais componentes, o sistema mantém a dosagem definida para a operação e reduz a ocorrência de falhas e sementes duplas.

A comporta regula o nível de sementes dentro do dosador e sua abertura deve ser ajustada conforme as características das sementes. Sementes maiores exigem maior passagem, enquanto as menores requerem maior restrição, conforme as orientações do manual. Esse ajuste mantém a quantidade adequada de sementes disponível para o funcionamento do mecanismo.

Compensação em curvas

O controle por linha também permite acompanhar as diferenças de percurso nas curvas. Ao contornar uma delas, as linhas externas percorrem uma distância maior que as internas no mesmo intervalo de tempo. Se todas liberassem a mesma quantidade de sementes nesse período, a distribuição por metro seria diferente entre os dois lados.

O acionamento elétrico permite ajustar a rotação dos dosadores de cada linha: as externas precisam entregar mais sementes no mesmo intervalo de tempo, e as internas, menos. Essa compensação acompanha o percurso de cada linha para manter a taxa programada.

Taxa variável, manutenção e compatibilidade

Além da compensação em curvas, o DPS-E permite trabalhar com taxa variável de sementes. Além disso, o fácil acesso ao interior do dosador simplifica a limpeza e a manutenção, assim como a troca de discos e expulsores nas mudanças de cultura. 

A tecnologia está presente em diferentes modelos de plantadeiras Stara, entre eles Estrela, Absoluta, Princesa, Cinderela e Eva, conforme a configuração de cada máquina. 

Plantadeira Cinderela Stara em operação no campo.

Além de milho e soja, o dosador possui configurações para feijão, algodão, sorgo, milheto e canola. Para cada cultura, é necessário utilizar o disco dosador e o expulsor correspondentes.

Veja também: Agricultura de Precisão: o que é e como funciona

Como o Desligamento Linha a Linha evita sobreposições?

Evitar a deposição de sementes sobre áreas já plantadas é outro cuidado para manter a população planejada. Matheus Henrique Baumgratz, engenheiro agrônomo e analista de Marketing de Produto da Stara, explica como o Desligamento Linha a Linha atua para evitar essas sobreposições:

O Desligamento Linha a Linha é uma tecnologia que permite o controle individual da deposição de sementes de cada linha da plantadeira. Ele evita a sobreposição de sementes em áreas onde já ocorreu a semeadura, mantendo a população planejada do local, reduzindo a aplicação desnecessária de insumos e favorecendo o melhor aproveitamento durante o plantio.

Esse controle é especialmente importante em arremates, bordaduras e encontros entre passadas. Em uma entrada diagonal na área já plantada, por exemplo, uma extremidade da plantadeira chega primeiro. O sistema interrompe a dosagem das linhas conforme elas alcançam essa área e mantém as demais em funcionamento até que também cheguem ao local.

Matheus Henrique Baumgratz, engenheiro agrônomo e analista de Marketing de Produto da Stara, destaca o efeito desse controle sobre o consumo de sementes:

Com o Desligamento Linha a Linha, a economia média é de 5% em sementes. Essa economia está relacionada à redução das sobreposições e varia conforme as características de cada área.

O funcionamento do Desligamento Linha a Linha depende da correta configuração e calibração do sistema, além da correção de sinal necessária para identificar com precisão as áreas já plantadas. A disponibilidade e a configuração da tecnologia variam conforme o modelo e a versão da plantadeira. 

As plantadeiras Estrela, Princesa e Absoluta equipadas com o Land Space já saem de fábrica com o Desligamento Linha  Linha calibrado.

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Como identificar a origem do problema no campo?

Além do acompanhamento realizado durante o plantio, a formação da lavoura após a emergência traz informações importantes sobre o resultado da operação. Quando aparecem espaços sem plantas na linha, a avaliação do local permite investigar se houve uma falha de deposição ou se a semente foi depositada, mas não germinou ou a plântula não conseguiu emergir.

A presença da semente ou de seus vestígios no solo é uma das primeiras informações a considerar. Sinais de deterioração ou ataque de insetos, assim como a profundidade de deposição, a umidade e o contato entre solo e semente, contribuem para compreender o que ocorreu. Por isso, a ausência de uma planta, isoladamente, não permite atribuir a falha à plantadeira.

Essas observações podem ser relacionadas ao histórico da operação e às informações registradas pelo controlador. A tabela abaixo reúne alguns sinais que podem ser encontrados na lavoura, suas possíveis origens e o que deve ser verificado antes de alterar as regulagens:

Sinal observado

Possível origem

O que conferir

Falha de deposição

Alimentação inadequada do dosador, vácuo mal regulado, disco ou expulsor incompatível com a cultura ou velocidade inadequada.

Sistema dosador, população programada, alertas do controlador e espaçamento entre sementes.

Falha de emergência

Problemas de germinação, profundidade inadequada, falta ou excesso de umidade, condições desfavoráveis do solo ou danos causados por pragas.

Presença e condição da semente ou plântula, profundidade de deposição, umidade e condições do solo. 

Sementes duplas

Singularização inadequada, ajuste incorreto do vácuo, disco e expulsor diferente da cultura.

Pressão de vácuo, comporta, disco, expulsor e espaçamento entre sementes.

Sobreposição

Continuidade da deposição quando a linha entra em uma área já plantada.

Desligamento individual das linhas, correção de sinal e configuração do recurso.

Ao relacionar os sinais da lavoura com o que ocorreu durante a operação, fica mais fácil direcionar a correção e preparar as próximas áreas. Essa avaliação conecta os cuidados de regulagem ao resultado observado no campo.

A qualidade no plantio começa com uma distribuição adequada

A qualidade do plantio depende de uma combinação de fatores, desde a regulagem da plantadeira até o acompanhamento da operação e a avaliação dos resultados no campo. Nesse processo, o DPS-E atua na dosagem e na singulação das sementes, enquanto o Desligamento Linha a Linha evita novas deposições em áreas já plantadas, contribuindo para manter a população planejada e reduzir o consumo desnecessário de sementes.

Quando até cinco plantadeiras compatíveis trabalham no mesmo talhão, o Syncro amplia esse controle ao sincronizar as máquinas durante a operação. A combinação dessas tecnologias deve considerar as características de cada área, o planejamento do plantio e a configuração das máquinas

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